LITERATURA  
MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS

 

A chamada Arte Moderna, surgida no início do século, reflete a inquietação e as contradições do período. As primeiras manifestações artísticas do século XX caracterizam-se pela ruptura com o passado e pelo intuito de chocar a opinião pública, pregando idéias radicalmente novas. Os movimentos de vanguarda européia influenciaram de forma incontestável no surgimento do Modernismo brasileiro.

1. FUTURISMO


Foi lançado, em 1909, em Paris, época em que foi produzido seu primeiro manifesto, assinado pelo escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti. Seguiram-se mais de trinta manifestos. Os futuristas pregavam especialmente a destruição do passado; nesse sentido, glorificavam o ritmo da vida moderna e exaltavam o futuro. A técnica das palavras em liberdade parece ter sido o aspecto mais importante da literatura futurista. Para conseguir tal efeito, os futuristas pregavam, entre outras coisas:

  • "É preciso destruir a sintaxe, dispondo os
    substantivos ao acaso, como nascem."
  • "Deve-se usar o verbo no infinitivo".
  • "Deve-se abolir o adjetivo para que o substantivo
    desnudo conserve a sua cor essencial".
  • "Deve-se abolir o advérbio".
  • "A pontuação deve ser abolida".

 

2. CUBISMO

 

O Cubismo desenvolveu-se inicialmente na pintura, valorizando as formas geométricas (cones,
cilindros, esferas etc.) ao revelar o objeto em seus múltiplos ângulos. Na literatura, as características fundamentais do Cubismo são o humor e uma linguagem mais ou menos caótica. Os nomes mais importantes da pintura cubista são Picasso, Braque, Fernand Léger e Mondrian. Na literatura, o principal representante dessa corrente é o poeta francês Apollinaire, autor de um manifesto de onde extraímos o seguinte fragmento: "Os grandes poetas e os grandes artistas têm por função social renovar continuamente a aparência que reveste a natureza aos olhos dos homens. Sem os poetas, sem os artistas, os homens aborrecer-se-iam depressa com a monotonia natural." A literatura cubista demonstra preocupação com a construção do texto, ressaltando a importância dos espaços em branco e em preto da folha de papel e da impressão tipográfica. Apollinaire defendia "as palavras inventadas" e propunha a destruição da sintaxe já condenada pelo uso, criando um texto marcado por substantivos soltos, jogados aparentemente de forma anárquica, e pelo menosprezo por verbos, adjetivos.

 

3. DADAÍSMO

 

Em 1916, em plena guerra, quando tudo fazia supor uma vitória alemã, um grupo de refugiados em Zurique, na Suíça, inicia o mais radical dos movimentos de vanguarda européia: o Dadaísmo. Tristan Tzara, o líder do movimento, afirma que dadá, palavra que ele encontrou casualmente ao colocar uma espátula dentro de um dicionário fechado, pode significar: rabo de vaca santa, mãe, certamente; nome de um cavalo de pau; e ama-de-leite. Mas o próprio Tzara acaba afirmando: "Dadá não significa nada" Os dadaístas não propõem nada, apenas a destruição, pois lançam-se contra todos os valores culturais, buscando um mundo mágico, semelhante ao mundo infantil. O Dadaísmo é a negação total, a defesa do absurdo e da incoerência, uma atitude de protesto contra uma civilização que conduziria a sociedade à guerra. Improvisação, desordem, ausência de equilíbrio são as principais características das obras dadaístas.

 

4. SURREALISMO

Em Paris, 1924, foi lançado por André Breton, um ex-participante do Dadaísmo, o Manifesto do Surrealismo, dando início àquele que seria, cronologicamente, o último movimento da vanguarda européia dos anos 20. O Surrealismo apresenta ligações com o Dadaísmo e o Futurismo. Propondo a elaboração de uma nova cultura, os surrealistas pregam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma outra, a partir de novas bases. Nesse aspecto, diferenciam-se dos dadaístas, cujas propostas tinham apenas um caráter destruidor. Em termos de expressão artística, a grande novidade apresentada pelo Surrealismo foi a escrita automática, ou seja, um método em que o escritor deveria deixar-se levar pelo seu impulso, registrando tudo o que lhe fosse ditado pela inspiração, sem se preocupar com a ordem e a lógica. A fantasia, os estados de tristeza e melancolia atraem muito os surrealistas, pois eles procuram atingir a realidade situada no plano do subconsciente e do inconsciente; nesse aspecto, sua maneira de penetrar no espírito humano se aproxima da atitude romântica, embora os surrealistas fossem mais radicais.

 

 

 

 

 

 

 

 
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